
#Repost @pefabiodemelo
• • • • • •
No evangelho de hoje, Jesus nos convida à experiência do amor sem recompensas. Uma prática que requer maturidade emocional, pois é resultado da mais elevada forma de desprendimento.
Na dinâmica da vida, é mais comum e socialmente aceito viver sob a regra da reciprocidade. Damos, fazemos, mas esperamos que os outros nos retribuam. Salvaguardando os vínculos que só são saudáveis mediante o equilíbrio das trocas, pois, caso contrário, estaríamos numa relação abusiva, os nossos gestos de bondade deveriam ser como um carro que não tem retrovisor.
Neste tempo em que a visibilidade de tudo o que fazemos tornou-se natural, a recompensa que esperamos adapta-se aos modelos de comunicação hodiernos. Colocamos a nossa caridade na vitrine das redes sociais, pois queremos ser reconhecidos como bondosos.
Mas você poderia dizer: “Precisamos mostrar, pois o bem merece ser noticiado”.
Sim, este pensamento é recorrente, você pode acreditar nele, mas ele não tem fundamento em Jesus.
No evangelho de Mt 6,3-4, Jesus recomenda discrição. "Tu, porém, quando deres esmola, não saiba tua mão esquerda o que faz a direita, de modo que tua esmola fique escondida”.
Hoje, já esclarecidos pelos postulados da Psicologia, entendemos melhor os fundamentos dos conselhos de Jesus. O hábito de alardear sobre as minhas obras de bondade, reforça naturalmente a fragilidade emocional que me habita,
a tendência de querer ser visto e admirado. Desta forma, a minha capacidade de amar permanece submissa à minha necessidade de ser amado. O bem que faço não me alcança, pois se limita a ser um bem somente para o outro, pouco contribuindo para a minha elevação espiritual.
A minha capacidade de amar necessita de conversão diária. Para que eu seja capaz de ficar feliz, realizado, mesmo quando a minha bondade não fomentar retribuição.
De acordo com a sugestão cristã, preparar um banquete para quem não pode me retribuir o convite, é uma forma de crescer neste propósito.
Que assim seja!
Foto: @kleber_alepereira
4,43483